STF forma maioria para derrubar lei de SC que proíbe cotas raciais em universidades

Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para suspende lei que proíbe cotas raciais em instituições que recebessem verbas públicas do estado de Santa Catarina
Em 16/04/2026 16h32 , atualizado em 16/04/2026 18h08 Por Lucas Afonso

Estudantes diversas em corredor de universo
Cotas raciais em universidades
Crédito da Imagem: Foto - Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
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A lei de proibição das cotas raciais para ingresso de estudantes em instituições públicas com verbas estaduais de Santa Catarina deve ser derrubada após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria de votos.

A votação foi iniciada na semana passada por meio de plenário virtual da Corte. O objetivo foi julgar ações que solicitam o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei.

Gilmar Mendes, ministro relator, afirmou que as cotas raciais não violam o princípio da isonomia, uma vez que este argumento foi utilizado na criação do projeto de lei. 

Até o fechamento desta notícia, o placar era de 7 a 0 a favor da suspensão da lei.  Entre os ministros que já votaram pela suspensão da lei, estão: o relator Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia. O prazo da votação virtual termina às 23h59 desta sexta-feira, 17 de abril.

A aprovação da lei ocorreu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina no final de 2025. O texto prevê a proibição das cotas tanto em universidades estaduais quanto nas privadas que recebem verbas públicas do estado. 

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O que diz a lei de proibição das cotas raciais em SC?

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou o Projeto de Lei nº 753/2025, de autoria do deputado Alex Brasil (PL), que extingue cotas raciais de universidades estaduais e outras instituições que recebem verba pública do Estado.

O texto final do Projeto de Lei não menciona diretamente a proibição de cotas raciais, no entanto esse tipo de reserva de vagas não está mencionado entre as modalidades excluídas da proibição.

Segundo o texto, ficam proibidas políticas de reserva de vagas ou qualquer forma de cota ou ação afirmativa para ingresso de estudantes ou contratação de docentes, técnicos e qualquer outro profissional. Apesar dessa proibição, ainda são permitidas reserva de vagas à Pessoas com Deficiência (PCD), baseada em critérios de renda e para estudantes oriundos da rede estadual de ensino público.

Estudante negro em sala de aula
Cotas raciais foram proíbidas em instituições de Santa Catarina que recebessem verba pública.
Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil.

O Projeto de Lei ainda institui multa de R$ 100.000,00 por edital que descumpre a pribição e determina o corte do repasse de verbas públicas.

O que é a lei federal de cotas?

A Lei de Cotas foi criada em 2012, com proposta de revisão em 10 anos, a revisão teve início em 2020 e foi sancionada em 2023, pelo presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva. As cotas abrangem grupos de candidatos pretos, pardos, indígenas e quilombolas, Pessoas com Deficiência (PcD), estudantes da rede pública e candidatos de baixa renda.

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