Dia da Mulher: conheça Heloisy, 1ª mulher formada em Inteligência Artificial (IA) da América Latina

De Ceres, interior de Goiás, Heloisy Rodrigues compartilha sua trajetória acadêmica no curso superior de IA e a realidade do mercado de trabalho
Em 05/03/2026 16h34 , atualizado em 05/03/2026 16h55 Por Lucas Afonso

Heloisy Rodrigues em sua formatura de IA
Heloisy Rodrigues se formou em IA na Universidade Federal de Goiás (UFG), primeiro curso da área no país.
Crédito da Imagem: Foto - Arquivo
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Heloisy Rodrigues (26), natural de Ceres (GO), tornou-se a primeira mulher formada em um curso superior de Inteligência Artificial (IA) do Brasil e da América Latina.

A jovem cursou a graduação pioneira de IA do país na Universidade Federal de Goiás (UFG) entre 2020 e 2023. Com oportunidades de projetos de pesquisa práticos direcionados ao mercado de trabalho, após formada, a profissional chegou a trabalhar nas áreas de educação, saúde e instituições financeiras.

Apesar de não ser a única mulher a ter entrado na primeira turma do curso, Heloisy foi a única entre os 15 formandos.

Neste Dia da Mulher, a goiana compartilha sua história, trajetória acadêmica e realidade sendo mulher na área de tecnologia, ainda predominantemente ocupada por homens.

Leia também: 1ª colocada em curso de IA da UFG reforça importância de mulheres na área da tecnologia 

Trajetória escolar

Nem sempre o foco da formação superior de Heloisy foi na área de tecnologia. Quando ela se mudou de Ceres para Goiânia, seu objetivo era cursar Medicina. O setor de saúde do município em que nasceu possui uma referência e há uma cultura de se mudar da cidade para a capital na intenção de se preparar melhor para os vestibulares de Medicina.

No entanto, a conquista pela vaga do curso não veio. Ela chegou a fazer um semestre de Odontologia na UFG, mas não se identificou. Neste período, ouviu o comentário do reitor da instituição de que seria aberto um novo curso de IA por meio do Sistema de Seleção Unificado (SiSU), um programa do Ministério da Educação (MEC) que aproveita as notas do Enem.

Heloisy Rodrigues
Heloisy Rodrigues trabalha com IA desde 2020, ano que começou sua graduação.
Crédito: Arquivo.

Quando chegou o período de inscrições do SiSU, Heloisy viu que não conseguiria a aprovação em Medicina novamente. Foi aí que sua mãe a lembrou do curso de IA citado em uma colação de grau e sugeriu fazer uma pesquisa para saber mais sobre a carreira. 

O primeiro contato com a formação em IA veio após pesquisar sobre a carreira. Percebeu que tinha um mercado de trabalho em ascensão e era constantemente citada em listas de profissões do futuro. 

Em seu percurso escolar, sempre teve mais afinidade com Matemática em relação às demais disciplinas, esta que é a base da capacitação em IA.

Assim, decidiu arriscar e experimentar. Ela relata que sempre contou com o apoio de sua família, mesmo quando saiu do curso de Odontologia.

Confira: Guia de Profissões do Brasil Escola 

Curso superior de IA 

Heloisy começou o curso superior de IA em 2020. A intenção foi aprender o máximo dos conteúdos da formação e compreender como funcionava a área de Inteligência Artificial, já que não tinha tanta familiaridade até então.

Dessa forma, dedicou-se para compreender as questões básicas de computação, como a programação, habilidade importante para a graduação. O resultado foram notas 10 em todas as matérias do período, o que chamou a atenção dos professores. Com isso, foi convidada para participar de um projeto de pesquisa e desenvolvimento já no primeiro semestre.

O estudo e o trabalho prático estiveram presentes ao longo de toda a formação. O curso de IA da UFG funciona com projetos que contam com a presença de empresas privadas. Isso faz com que as atividades estejam direcionadas para o mercado de trabalho, além da pesquisa, justamente por ser um ambiente de inovação, explica a profissional.

As três principais bases são a Matemática, Computação e o Empreendedorismo, pilares que sustentam o curso. 

"Estamos sempre ali estudando, fazendo projetos dentro das disciplinas, pensando no mercado de trabalho, em resolução de problemas. Isso faz com que você seja um profissional mais qualificado, que pense um pouco fora da caixinha."

Heloisy Rodrigues

Heloisy segurando seu diploma de IA
Heloisy concluiu os estudos em IA em 2023.
Crédito: Arquivo.

Heloisy destaca que o fato da IA se relacionar com todas as áreas de conhecimento (saúde, educação, economia, etc) foi um dos fatores que chamou sua atenção. Ela poderia se formar em IA e trabalhar na área de saúde, que até então era sua primeira opção de carreira. 

Por conta das oportunidades de projetos com empresas relevantes, as bolsas dos estágios chegam a remunerar os estudantes em até R$ 5 mil, afirma.

Mercado de trabalho em IA

Uma vez que a graduação funciona de uma forma muito conectada com o mercado de trabalho, a inserção no ambiente profissional se torna facilitada, acredita Heloisy.

No próprio curso, ao longo dos projetos, as alunas e os alunos têm acesso e contato com empresários, e isso permite uma viabilidade maior de alocação.

Heloisy em evento da Meta
Heloisy em evento na Meta São Paulo, do International Woman's Day.
Crédito: Arquivo.

Outra possibilidade é empreender. E foi o que a goiana fez após formada. Abriu uma startup logo após finalizar o curso com seus colegas. Desenvolveram uma IA para o mercado de call center e contaram com uma empresa investidora já do ramo. 

Entre os outros trabalhos e experiências no mercado de trabalho, Heloisy trabalhou na área da educação junto ao Ministério da Educação (MEC), empresa de saúde, holding voltada para o marketing e instituições financeiras.

Heloisy em evento
Heloisy em evento sobre o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.
Crédito: Arquivo.

Saiba mais: O que é o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência e qual o seu objetivo?

Mulheres no mercado de tecnologia

A presença mais tímida de mulheres no mercado de tecnologia é um reflexo da baixa inserção das meninas em cursos superiores deste setor, pondera.

Apesar de uma quantidade menor em relação ao número de homens na área, Heloisy percebe que este cenário tem mudado ao longo do tempo, com um movimento de maior interesse por meninas e mulheres por esse setor.

Em uma instituição financeira em que trabalhou, ela conta que havia vagas reservadas e destinadas a mulheres, o que permite um ambiente mais equilibrado quanto à equidade de gênero. 

Como funciona um curso superior de IA?

Veja, no vídeo abaixo, como funciona na prática uma graduação de Inteligência Artificial: