Na obra "O Segundo Sexo", a filósofa Simone de Beauvoir reflete como a sociedade, ao longo dos anos, construiu a mulher como sujeito subordinado ao homem. Atualmente, essa lógica ainda é observada no cotidiano brasileiro, especialmente na violência de gênero. Nesse contexto, destaca-se a violência vicária, prática em que agressores utilizam terceiros para atingir a vítima, o que evidencia a necessidade urgente de enfrentar essa problemática.
Em primeiro lugar, a invisibilidade da violência vicária contribui para a naturalização de comportamentos abusivos. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, o Brasil registrou mais de 1000 casos de violência doméstica diariamente, evidenciando a dimensão estrutural do problema. Nessa perspectiva, o agressor intensifica o sofrimento da vítima ao atingir filhos e pessoas próximas como forma de punição emocional, muitas vezes até mesmo após o término da relação. Assim, essa prática ultrapassa a esfera individual, uma vez que amplia a desigualdade de gênero ao destruir vínculos afetivos com fins de controle psicológico.
(Boa estratégia coesiva) Além disso, a ausência de visibilidade institucional favorece a continuidade dessa forma de violência. A Lei Maria da Penha representa um importante avanço no combate à violência contra a mulher; entretanto, ainda existem lacunas no que se refere à violência vicária. Conforme aponta Michel Foucault, o poder se exerce de maneira difusa nas relações sociais, o que ajuda a compreender por que formas não físicas de violência são frequentemente negligenciadas. Dessa maneira, a insuficiente capacitação dos agentes públicos, aliada à dificuldade de identificação dos casos, contribui para a manutenção da vulnerabilidade das vítimas.
(Boa estratégia coesiva) Portanto, o Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres, deve ampliar as políticas públicas, com a criação de protocolos específicos para o atendimento de casos de violência vicária, além de estabelecer punições mais rigorosas em situações de descumprimento. Ademais, é fundamental investir na capacitação de profissionais da segurança pública e da assistência social, a fim de garantir o acolhimento adequado das vítimas. Dessa forma, será possível romper com a lógica de opressão descrita por Beauvoir e assegurar proteção efetiva às mulheres e a seus filhos. (Proposta completa)
Dados correção tradicional
Mantenha os aspectos positivos. Bom estudo!
| Competência | Nota | Motivo |
| Domínio da modalidade escrita formal | 200 | Nível 5 - Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita serão aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizem reincidência. |
| Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa | 200 | Nível 5 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. |
| Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista | 160 | Nível 4 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista. |
| Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação | 200 | Nível 5 - Articula bem as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos | 200 | Nível 5 - Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| NOTA FINAL: 960 | ||
| Nível 0 | Nota 0 |
| Nível 1 | Nota 40 |
| Nível 2 | Nota 80 |
| Nível 3 | Nota 120 |
| Nível 4 | Nota 160 |
| Nível 5 | Nota 200 |