A música "Falo", de Carne Doce, expõe a visão de superioridade e poder que o homem impõe forçadamente sobre a mulher na sociedade. Nesse contexto, milhares de mulheres são vítimas de feminicídio, tendo suas vidas ceifadas por uma condição de gênero e pela cultura de violência persistente e subestimada entre homens. É prudente apontar, diante disso, que o Estado brasileiro tem encontrado dificuldades em proteger essa parcela vulnerável de sua população, não reconhecendo a gravidade desse ciclo mortal. Assim, seja pelo machismo estrutural, seja pela ineficiência legislativa, o problema deve ser resolvido. (Muito bem. Formulou a tese)
Diante do exposto, o machismo estrutural agrava a situação vigente. Em 2025, segundo a ONU, a cada dez minutos uma mulher era morta por um familiar ou parceiro íntimo. No Brasil, isso se tornou evidente: Tainara Santos foi atropelada e arrastada por 1 km após o namorado não aceitar o término do relacionamento; Juliana Garcia sobreviveu a 61 socos desferidos contra seu rosto pelo próprio companheiro; Vitória Regina teve o corpo encontrado em uma mata, com sinais de tortura atribuídos ao ex-parceiro. Casos como esses não são episódios isolados, mas sintomas de uma mentalidade que naturaliza a posse masculina sobre a vida feminina. Conforme a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher: torna-se”, evidenciando que papéis de submissão são construções sociais. Assim, quando a cultura patriarcal reforça a ideia de domínio, transforma o afeto em controle e o término em sentença, perpetuando uma lógica que legitima agressões e silencia denúncias.
(Boa estratégia coesiva) Ademais, a ineficiência na aplicação das normas de proteção contribui para a manutenção desse cenário alarmante. Embora a Lei Maria da Penha represente avanço jurídico significativo, a precariedade na fiscalização das medidas protetivas e a morosidade processual fragilizam sua eficácia prática. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, parcela expressiva das vítimas de feminicídio já havia registrado ocorrência anteriormente, o que demonstra falhas no acompanhamento estatal. Em muitos casos, a ausência de monitoramento eletrônico do agressor, a escassez de delegacias especializadas e o despreparo de agentes públicos (muitas vezes movidos pela cultura misógina) resultam na revitimização de quem busca ajuda. Além disso, a dependência econômica e a falta de incentivo dificultam a continuidade das denúncias, sobretudo quando o aparato institucional não oferece suporte psicológico e social adequado. Assim, os fatos revelam um Estado que, embora disponha de instrumentos jurídicos, ainda não consegue assegurar proteção integral às mulheres ameaçadas.
(Boa estratégia coesiva) Portanto, torna-se imprescindível que o Estado fortaleça a rede de amparo por meio da ampliação de delegacias especializadas, da capacitação contínua de agentes públicos e da implementação de monitoramento eletrônico de agressores. Somado a isso, campanhas educativas permanentes, veiculadas em escolas e meios de comunicação, devem desconstruir concepções de virilidade associadas à violência, promovendo relações baseadas em respeito e equidade. Somente assim, com ações articuladas entre poder público e a sociedade civil, será possível romper com a realidade exposta por Carne Doce. (Proposta completa)
Dados correção tradicional
Delimite e explore as discussões em 30 linhas. Mantennha os aspectos positivos. Bom estudo!
| Competência | Nota | Motivo |
| Domínio da modalidade escrita formal | 200 | Nível 5 - Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita serão aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizem reincidência. |
| Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa | 200 | Nível 5 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. |
| Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista | 160 | Nível 4 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista. |
| Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação | 200 | Nível 5 - Articula bem as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos | 200 | Nível 5 - Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| NOTA FINAL: 960 | ||
| Nível 0 | Nota 0 |
| Nível 1 | Nota 40 |
| Nível 2 | Nota 80 |
| Nível 3 | Nota 120 |
| Nível 4 | Nota 160 |
| Nível 5 | Nota 200 |