O geógrafo Milton Santos, em “Cidadanias Mutiladas”, defende a extensão democratizada de garantias constitucionalmente previstas, como o direito à vida, de modo que sejam acessíveis a todos os brasileiros. No entanto, apesar do posicionamento do pensador, a cidadania não se efetiva na prática, já que se observa a persistência de engrenagens que contribuem tanto para a falta de cumprimento desse direito quanto para a manutenção dos estigmas acerca do envelhecimento da população brasileira (Aqui, parece tratar de dois temas distintos). Nesse sentido, esse cenário de violação tem como origem inegável a negligência governamental e o individualismo.
Nessa perspectiva analítica, é incontestável que a inércia da máquina pública constitui um fator agravante na consolidação dos obstáculos acerca do aumento da população idosa no Brasil. Tal situação é discutida no livro “A Cidadania no Brasil: o longo caminho”, do historiador José Murilo de Carvalho, ao sustentar que as desigualdades, a exemplo da escassez de uma população economicamente ativa suficiente para manter o bem-estar dos idosos, impedem a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Ao seguir essa linha de pensamento, nota-se que, quando o Estado não se mobiliza para atenuar essas assimetrias, amplia mazelas, com o aumento de impostos e a necessidade de reestruturação do tecido social. Sob essa análise, o caráter negligente e irresponsável do governo perpetua a exclusão de um expressivo contingente de brasileiros, fragilizando a integralidade do Estado Democrático de Direito, o que urge mitigação.
(Boa estratégia coesiva) Além disso, destaca-se a falta de empatia como um dos empecilhos para a valorização da sociedade acima dos 60 anos no Brasil. Nessa lógica, de acordo com a análise da antropóloga Lilia Schwarcz, desde a Independência, não há, no Brasil, a formação de um ideal de coletividade — ou seja, de uma “Nação” ao invés de, meramente, um “Estado”. Desse modo, a inexistência de um projeto coletivo, para atenuar o estigma de incapacidade atribuído aos idosos, contribui para a falta de engajamento do povo brasileiro em relação a esse preconceito enraizado na população. Essa realidade tem como instrumento materializador o medo de incluir os idosos em atividades comuns temendo que eles se machuquem e questionando suas capacidades (Melhore a construção dessa discussão). Posto isso, enquanto o corpo social se mantiver preso aos interesses próprios, o país vivenciará inconcebíveis problemáticas.
(Boa estratégia coesiva) Evidencia-se, portanto, que, para extinguir os impactos políticos e sociais a respeito do envelhecimento da nação brasileira, medidas são necessárias. Para tanto, é preciso que o governo federal - como gestor maior da nação -, crie políticas públicas como o projeto “Vidas Longas”, por meio da reversão da PEC 241, que congelou os gastos essenciais para a consolidação da equidade e da isonomia nos 5.570 municípios brasileiros, a fim de garantir o bem-estar e a inclusão dos idosos na sociedade, reduzindo a letargia governamental e o individualismo presente no tecido civil. Feito isso, a cidadania degradada, discutida por Santos, será substituída por um projeto coletivo na busca da integralidade da nação verde-amarela. (Apresentou todos os elementos da proposta)
Dados correção tradicional
Mantenha os aspectos positivos. Bom estudo!
| Competência | Nota | Motivo |
| Domínio da modalidade escrita formal | 160 | Nível 4 - Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita. |
| Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa | 160 | Nível 4 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. |
| Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista | 160 | Nível 4 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista. |
| Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação | 200 | Nível 5 - Articula bem as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos | 200 | Nível 5 - Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| NOTA FINAL: 880 | ||
| Nível 0 | Nota 0 |
| Nível 1 | Nota 40 |
| Nível 2 | Nota 80 |
| Nível 3 | Nota 120 |
| Nível 4 | Nota 160 |
| Nível 5 | Nota 200 |